Por Dra. Thaisa Nóbrega, pesquisadora da área de Fitopatologia na Estação Experimental da Staphyt em Formosa, Goiás
Na pesquisa em fitopatologia, boa parte do trabalho começa antes de qualquer planta ir para o campo. Aqui na nossa estação experimental, em Formosa, Goiás, usamos ensaios em casa de vegetação para testar fungicidas químicos e biológicos ainda em desenvolvimento, em condições que conseguimos controlar do início ao fim.
Por que a casa de vegetação é uma ferramenta tão usada na pesquisa em fitopatologia
A principal diferença entre um ensaio em casa de vegetação e um ensaio em campo é o controle das condições ambientais. Em casa de vegetação, conseguimos manter umidade, luz e temperatura dentro de faixas definidas. No campo, essas variáveis não dependem de nós, mudam de um dia para o outro e de uma área para outra. Esse controle é o que torna os resultados de um ensaio em casa de vegetação mais robustos e refinados.
Há também uma vantagem prática para quem está desenvolvendo um produto novo: Testar produtos em um número muito maior de tratamentos e repetições, afim de selecionar apenas tratamentos “elite” para ensaios de campo , o que evita gastar tempo e área experimental com candidatos de baixa performance Além disso, estes ensaios também podem ser conduzidos em períodos de entressafra, agilizando o desenvolvimento do produto.
Inoculação artificial: o que muda em relação ao campo
Uma das maiores vantagens desse tipo de ensaio é a possibilidade de inocular o patógeno de forma artificial. A forma como fazemos essa inoculação varia bastante e depende de três fatores: o ciclo de vida do patógeno, do patossistema envolvido e a epidemiologia da doença.
Na prática, padronizamos duas coisas em cada ensaio: a quantidade de inóculo e o momento em que ele chega a cada planta. Isso garante que a quantidade de doença e de inóculo seja parecida em todos os tratamentos. No campo, dependemos quase sempre de infecções naturais, que variam de acordo com a quantidade de inóculo inicial, , disseminação de outras áreas e condições climáticas.

Inoculação de patógenos foliares
Para a maioria dos patógenos foliares, conseguimos produzir o inóculo de forma massal a partir de um isolado da nossa coleção micológica. Esse inóculo é produzido em diferentes substratos, sendo o arroz o mais usado aqui na estação. A partir dessa produção em massa, preparamos uma suspensão de esporos e calibramos a concentração em uma câmara de Neubauer, garantindo uma quantidade padrão de esporos por mililitro de suspensão. Essa suspensão é aplicada diretamente nas plantas e, depois da aplicação, mantemos as condições de alta umidade necessárias para favorecer a infecção.
Inoculação de patógenos radiculares e habitantes do solo
Patógenos que habitam o solo, como espécies de Macrophomina, Fusarium, Rhizoctonia, Pythium e Phytophthora são especialmente beneficiados pelos ensaios em casa de vegetação, justamente porque no campo eles não ocorrem de forma uniforme. Em casa de vegetação, conseguimos inocular cada semente individualmente ou, em alguns casos, aplicar o inóculo direto no solo. Nos dois casos, o que importa é manter a quantidade de inóculo em todos os tratamentos.
Da casa de vegetação para o campo
Esse tipo de ensaio controlado é uma etapa importante antes de qualquer produto seguir para os testes em campo. Aqui na Staphyt, em Formosa, temos as ferramentas e o domínio das metodologias necessárias para conduzir esses ensaios e apoiar empresas no desenvolvimento de novos fungicidas e de novas tecnologias para o controle de doenças de plantas.
Sobre a autora
Thaísa Nóbrega Engenheira Agrônoma, Mestra em Agronomia e Doutora em Fitopatologia. Atualmente é pesquisadora da área de Fitopatologia na Estação Experimental da Staphyt em Formosa, Goiás.
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